Milhões de ‘escravos’ ao redor do mundo ainda fazem coisas que compramos hoje

Milhões de 'escravos' ao redor do mundo ainda fazem coisas que compramos hoje

Havia 40,3 milhões de pessoas vivendo em condições de escravidão em 2018, principalmente mulheres, segundo um relatório recente da Iniciativa Walk Free. Pesquisadores dizem que a escravidão não terminou com a abolição no século XIX, mas apenas mudou de forma.

A iniciativa empreende pesquisas para construir a base de evidências mais abrangente do mundo sobre a escravidão moderna.

Embora não exista uma definição legal oficial da escravidão moderna, a ONU a descreve como a condição de pessoas cujo trabalho “é realizado involuntariamente e sob a ameaça de qualquer penalidade”. A organização e seus estados-membros se comprometeram a eliminar a escravidão até 2030, juntamente com tráfico humano, trabalho forçado e trabalho infantil.

De acordo com a Walk Free, a escravidão moderna está aumentando, particularmente nas cadeias de fornecimento de negócios.

Katharine Bryant, gerente de pesquisa global da Walk Free, disse ao Quartz que cerca de 16 milhões de vítimas da escravidão trabalham em cadeias de fornecimento mal monitoradas. Isso não inclui trabalho infantil ou condições de trabalho exploradoras que não limitem a liberdade de movimento.

Menos de 40 dos 183 países (de 193 estados-membros da ONU) pesquisados ​​possuem sistemas e leis para impedir que as empresas comprem produtos que possam ter usado trabalho escravo em algum ponto da produção. Apesar dessas leis estarem em vigor, os países não estão conseguindo aplicá-las efetivamente.

O relatório aponta que a circulação global de bens torna extraordinariamente desafiador garantir que os produtos sejam livres de trabalho escravo, porque é difícil de rastrear.

Muitos países que fornecem bens de consumo têm uma alta porcentagem de pessoas trabalhando em condições de escravidão, suportando longos turnos e condições exaustivas, sem a opção de sair. Indústrias de moda e tecnologia são os principais setores conhecidos por seu uso de trabalho forçado.

Os EUA importam o maior volume de bens que são feitos com trabalho escravo em algum momento antes de chegar ao consumidor, de acordo com o relatório. Isso está acontecendo, apesar dos esforços e leis aprovadas para abordar o fenômeno.

“A exploração do trabalho é um espectro”, disse Bryant, acrescentando que quanto mais nuançada a prática abusiva, mais difícil é defini-la e controlá-la. A falta de educação entre as pessoas em risco de exploração é outro elemento importante que está faltando, segundo o pesquisador.

(Fonte)

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[…] que está envolvida com esses testes.E pior, o abuso não para com os animais. Humanos também abusam de humanos, […]