Naufrágio ‘congelado no tempo’ lança nova luz sobre a infeliz missão no Ártico de 1845

Evidências recuperadas do frio intenso do Oceano Ártico do Canadá lançarão nova luz a respeito dos últimos dias da expedição infeliz do explorador polar britânico Sir John Franklin, que desapareceu com sua tripulação em 1845.

Os pesquisadores do Parks Canada e inuítes anunciaram na quarta-feira (28) os resultados de um estudo do HMS Terror – incluindo novas imagens ‘esclarecedoras’ de dentro do navio incrivelmente bem preservado – e aumentaram a possibilidade de que registros e mapas permaneceram intactos e legíveis após quase 170 anos debaixo d’água.

Durante várias semanas, no início de agosto, os pesquisadores lançaram a tecnologia de mapeamento 3D para pesquisar o local dos destroços na costa da Ilha King William, em Nunavut.

Pela primeira vez, a equipe também pôde fazer sete viagens dentro do navio, pilotando um veículo operado remotamente. Quase 90% do convés inferior do navio – incluindo as áreas onde a tripulação comeu e dormiu – foram acessíveis ao veículo.

No total, a expedição pôde estudar 20 cômodos separados.

Ryan Harris, arqueólogo sênior da Parks Canada, disse em um comunicado:

A impressão que testemunhamos ao explorarmos o HMS Terror é a de que se trata de um navio recentemente abandonado por sua tripulação, aparentemente esquecido pela passagem do tempo.

Em 1845, os navios HMS Erebus e HMS Terror partiram da Inglaterra em busca da cobiçada Passagem do Noroeste. Mas a expedição famosa e acompanhada de perto terminou em desastre, com todos os 129 tripulantes sucumbindo aos elementos hostis do Ártico.

Escavações recentes em ilhas próximas sugerem que uma combinação de escorbuto, hipotermia – e potencialmente canibalismo – matou a tripulação, depois que eles abandonaram os dois navios encalhados.

Várias expedições para recuperar os navios e os restos da tripulação foram inúteis. Por gerações, a história oral dos inuítes conta sobre os dois navios naufragados e os marinheiros encalhados.

Por muito tempo ignorada pelos arqueólogos ocidentais, a história foi justificada quando os historiadores inuítes ajudaram a descobrir os locais finais de descanso do Erebus em 2014 e do Terror em 2016.

Pratos e outros artefatos ficam nas prateleiras ao lado de uma mesa, onde membros da equipe de baixo escalão faziam suas refeições no HMS Terror, em Terror Bay, na Ilha King William, em Nunavut. Fotografia: Ryan Harris / AFP / Getty Images

Desde a descoberta monumental, a Parks Canada começou a estudar os dois navios em detalhes, com o objetivo de entender melhor a vida dos que estavam a bordo – e os últimos meses da viagem. De dentro dos destroços, a cabine do capitão Francis Crozier permanece a mais intacta. Apenas seus aposentos, atrás de uma porta fechada, são inacessíveis.

A localização em si, sob as águas geladas do Ártico, tem sido fundamental para preservar grande parte do navio. A temperatura da água e a falta de luz natural impediram a degradação de muitos itens, incluindo louças e navegação.

O mais empolgante para os pesquisadores é a perspectiva de que sedimentos espessos e com pouco oxigênio preservem a documentação dentro do navio, incluindo diários e mapas.

Marc-André Bernier, chefe do departamento de arqueologia subaquática da Parks Canada, disse em um comunicado:

Não apenas os móveis e os armários estão no lugar, as gavetas estão fechadas e muitas estão enterradas em lodo, encapsulando objetos e documentos nas melhores condições possíveis para sua sobrevivência.

Cada gaveta e outro espaço fechado será um tesouro de informações sem precedentes sobre o destino da Expedição Franklin.

Garrafas e outros artefatos ficam em uma prateleira em uma cabine no andar inferior do HMS Terror. Foto: Ryan Harris / AFP / Getty Images

Quaisquer itens recuperados da expedição serão compartilhados entre os governos do Canadá e dos inuítes, como resultado de um recente acordo entre os dois grupos.

Antes de anunciar publicamente a descoberta mais recente, os membros da comunidade de Gjoa Haven, inclusive jovens estudantes, foram os primeiros a ver imagens dos destroços.

A Parks Canada montou dispositivos para monitorar o fluxo da água nas proximidades do Terror e agora estão estudando o Erebus. A equipe espera explorar o local até o início de setembro, antes da formação anual do gelo marinho do outono.

[Para informações de como ativar a legenda em português do vídeo abaixo, embora ela não seja precisa e possa não funcionar em dispositivos móveis, clique aqui.
(Macete: algumas legendas são melhores acompanhadas lendo-se somente a última linha)]

(Fonte)

Colaboração: MaryH

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